Segue uma resposta bíblico-teológica e apologética, coerente com todo o material usado ao longo da conversa (Smelley, Olson, Hunt, Vance, Geisler & Howe), enfrentando diretamente a pergunta:
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Introdução
A pergunta toca o núcleo do problema moral do determinismo calvinista. Se Deus já predestinou certos indivíduos irrevogavelmente à perdição, faz sentido Ele chamá-los ao arrependimento, à fé e à salvação?
Biblicamente, a resposta é clara: não — porque a própria Escritura nega que Deus predestine pessoas à perdição e afirma que Seu chamado é sincero, real e universal.
1. O problema lógico e moral da pergunta
Se Deus chama alguém que:
- não pode crer,
- não pode responder,
- não pode ser salvo,
então esse chamado seria:
- meramente formal,
- moralmente incoerente,
- pastoralmente enganoso.
Um chamado verdadeiro pressupõe possibilidade real de resposta.
Chamar alguém a se arrepender sabendo que ele foi criado sem qualquer possibilidade de salvação transforma o chamado em encenação, não em graça.
2. A Bíblia nega explicitamente a predestinação à perdição
A Escritura nunca afirma que Deus predestinou indivíduos ao inferno.
Pelo contrário:
- “Deus não tem prazer na morte do ímpio” (Ez 18.23)
- “Não querendo que ninguém pereça” (2Pe 3.9)
- “Deus deseja que todos sejam salvos” (1Tm 2.4)
- “Cristo morreu por todos” (2Co 5.14–15)
Roger Olson afirma com clareza:
a ideia de dupla predestinação é uma construção lógica do sistema calvinista, não um ensino bíblico
3. O chamado bíblico é universal e sincero
A Bíblia apresenta Deus chamando:
- os que creem,
- os que resistem,
- os que rejeitam,
- os que se perdem.
Jesus lamenta:
“Quantas vezes quis eu… e vós não quisestes” (Mt 23.37)
Essa lamentação não faz sentido algum se:
- Jesus nunca quis salvá-los de fato,
- ou se eles eram incapazes de responder.
Dave Hunt observa que um chamado irresistível elimina a própria ideia de convite .
4. O erro do determinismo: confundir presciência com decreto
Hutson Smelley e Norman Geisler mostram que o erro central do determinismo é este:
Deus saber ≠ Deus causar
Deus pode:
- conhecer quem rejeitará,
- sem ter decretado que rejeitassem,
- e sem tornar o chamado falso.
Presciência não transforma o chamado em farsa;
predestinação à perdição, sim .
5. Se Deus predestinasse à perdição, o evangelho seria incoerente
Se Deus chama quem já decretou à perdição:
- o arrependimento seria impossível;
- a fé seria inalcançável;
- o juízo seria punição por algo inevitável;
- a cruz seria provisão seletiva disfarçada de universal.
Laurence Vance observa que isso faz de Deus um juiz que condena por decreto e depois acusa por desobediência .
Isso contradiz frontalmente a justiça bíblica.
6. O modelo bíblico coerente
A Bíblia apresenta um modelo diferente:
- Deus ama a todos;
- Deus chama a todos;
- Deus oferece salvação a todos;
- Cristo morreu por todos;
- O Espírito convence todos;
- Alguns creem;
- Outros resistem;
- Deus julga justamente.
Nesse modelo:
- o chamado é real;
- a graça é sincera;
- a condenação é justa;
- Deus permanece santo.
Conclusão
Não. Deus não chama pessoas que Ele já predestinou à perdição.
Porque:
- Deus não predestina ninguém à perdição;
- o chamado divino é sincero;
- a graça é real;
- o amor é verdadeiro;
- e a justiça é íntegra.
A pergunta correta não é:
“Por que Deus chama quem não pode responder?”
Mas:
“Por que sistemas teológicos afirmam algo que a Bíblia jamais ensinou?”
O Deus bíblico:
- chama porque ama,
- oferece porque deseja salvar,
- julga porque foi rejeitado.
Ele não brinca com a salvação,
não finge oferecer graça,
nem condena por destino imposto.
Onde Deus chama, há possibilidade real de resposta.
