Hebreus 2.1-3 – Um cristão pode se desviar?

Segue uma análise bíblico-teológica de Hebreus 2.1–3, elaborada com base direta nos PDFs usados ao longo da conversaDesconstruindo o Calvinismo (Hutson Smelley), Contra o Calvinismo (Roger Olson), Que Amor é Este? (Dave Hunt), O Outro Lado do Calvinismo (Laurence M. Vance) e Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia (Norman Geisler & Thomas Howe) — respondendo de forma clara à pergunta:

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“Por isso convém atentarmos com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação…?”
(Hb 2.1–3)


1. O destinatário da advertência

Um ponto decisivo ignorado por leituras deterministas é a quem o autor de Hebreus está falando.

O texto utiliza:

incluindo o próprio autor e sua comunidade. Roger Olson destaca que Hebreus é dirigido a cristãos professos, não a incrédulos externos .

Portanto, a advertência não é hipotética nem evangelística; é pastoral e real.


2. O verbo “desviar” e seu peso teológico

O verbo grego usado em Hebreus 2.1 (pararreō) significa:

Hutson Smelley observa que o termo descreve um processo real e progressivo, não uma impossibilidade teórica .

O autor não fala de uma queda abrupta apenas, mas de negligência contínua que leva ao afastamento espiritual.


3. “Negligenciar tão grande salvação”

O texto não diz:

Laurence Vance destaca que essa palavra pressupõe:

Isso elimina a tentativa comum de dizer que Hebreus descreve apenas “quase convertidos”.


4. A lógica do argumento: advertência com consequência real

O autor constrói um argumento do menor para o maior:

  1. A Lei (mediada por anjos) teve punições reais (v.2)
  2. Quanto maior será a responsabilidade sob o evangelho (v.3)

Dave Hunt observa que advertências desse tipo só fazem sentido se a consequência for real .

Se a salvação não pudesse ser abandonada:


5. Hebreus e o padrão das advertências reais

Hebreus 2.1–3 não está isolado. O livro inteiro repete o mesmo padrão:

Smelley e Vance demonstram que reinterpretar todas essas advertências como irreais é submeter o texto a um sistema teológico prévio .


6. A falha da leitura calvinista

O calvinismo clássico afirma que:

Roger Olson afirma que isso transforma Hebreus em linguagem performática sem perigo real, o que é pastoralmente e exegeticamente insustentável .

Se não há possibilidade real de desvio:


7. Um cristão pode se desviar? A resposta do texto

À luz de Hebreus 2.1–3 e do conjunto das Escrituras:

✔ A advertência é dirigida a cristãos
✔ O desvio é descrito como possibilidade real
✔ A negligência pode levar à perda
✔ O juízo é apresentado como sério
✔ A perseverança é necessária

Norman Geisler afirma que a Bíblia ensina segurança em Cristo, não imunidade incondicional contra a apostasia .


Conclusão

Sim, segundo Hebreus 2.1–3, um cristão pode se desviar.

Não por falta de poder da graça,
não por falha da salvação,
mas por negligência, descuido e abandono progressivo da fé recebida.

O texto não ensina:

mas ensina algo profundamente bíblico:

a salvação é graciosa, mas a perseverança é necessária.

Por isso, a exortação permanece viva para a Igreja de todos os tempos:

“Convém atentarmos com mais diligência…”

 

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