Romanos 11.17-23 – até a Nação Eleita foi cortada!

Segue uma análise bíblico-teológica e exegética de Romanos 11.17–23, elaborada com base direta nos PDFs utilizados ao longo da conversaDesconstruindo o Calvinismo (Hutson Smelley), Contra o Calvinismo (Roger Olson), Que Amor é Este? (Dave Hunt), O Outro Lado do Calvinismo (Laurence M. Vance) e Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia (Norman Geisler & Thomas Howe) — destacando a força do argumento paulino: até a nação eleita pode ser cortada.


“Até a Nação Eleita foi cortada!”

“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, bondade, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado.”
(Rm 11.22)


1. O contexto de Romanos 9–11

Romanos 9–11 trata do lugar de Israel no plano redentor e da inclusão dos gentios. Paulo responde a uma pergunta crucial:

Se Israel é o povo eleito, por que tantos judeus rejeitaram o Messias?

A resposta de Paulo não é determinista, mas histórica, moral e relacional. Hutson Smelley observa que esses capítulos não tratam de eleição individual fatalista, mas de eleição corporativa e histórica .


2. A metáfora da oliveira

Paulo usa a imagem de uma oliveira:

O ponto central não é identidade étnica, mas .

Roger Olson destaca que a metáfora pressupõe permanência condicional, não segurança automática .


3. “Alguns dos ramos foram quebrados” (v.17)

O texto é direto:

“Alguns dos ramos foram quebrados.”

Esses ramos são judeus incrédulos — membros da nação eleita.

Laurence Vance enfatiza que Paulo não suaviza a linguagem:

os ramos não foram apenas ignorados, mas efetivamente cortados .

Se a eleição nacional fosse incondicional e irrevogável em sentido absoluto, tal afirmação seria impossível.


4. A causa do corte: incredulidade

Paulo é explícito:

“Pela incredulidade foram quebrados” (v.20)

Dave Hunt destaca que Paulo localiza a causa do corte no homem, não em um decreto oculto de Deus .

Isso destrói a leitura fatalista:


5. A advertência aos gentios: “também tu serás cortado”

Paulo aplica a lição diretamente aos gentios:

“Não te ensoberbeças, mas teme… doutra sorte, também tu serás cortado.” (vv.20–22)

Smelley observa que essa advertência não é hipotética nem retórica, mas real e condicional .

Se os gentios não pudessem ser cortados:


6. Permanecer é condição explícita

O versículo 22 é decisivo:

“Se nela permaneceres.”

Norman Geisler observa que o Novo Testamento frequentemente condiciona a permanência na salvação à fé contínua, não a um decreto irrevogável .

Paulo não diz:


7. Possibilidade real de restauração

Paulo afirma ainda:

“E eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados.” (v.23)

Isso mostra que:

Vance observa que esse versículo destrói qualquer ideia de reprobação absoluta e irrevogável de Israel .


8. O colapso da leitura calvinista

A leitura calvinista tradicional tenta afirmar que:

Roger Olson chama isso de leitura defensiva, imposta para salvar o sistema TULIP, não derivada do texto .

O problema é simples:

Paulo chama Israel de eleito e, ainda assim, afirma que ramos foram cortados.


9. Harmonia com o restante do Novo Testamento

Romanos 11.17–23 se harmoniza perfeitamente com:

Smelley observa que Paulo usa Israel como exemplo real de advertência, não como ilustração fictícia .


Conclusão

Romanos 11.17–23 ensina claramente que até a nação eleita foi cortada por incredulidade.

O texto afirma que:

Paulo não ensina determinismo fatalista, mas responsabilidade real dentro do plano soberano de Deus.

A lição final do apóstolo é clara e atual:

Eleição sem fé não salva.
Privilégio sem perseverança não permanece.
Até a nação eleita foi cortada — e isso serve de advertência a todos nós.

 

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