Ellen G. White ensinou que a obra redentora de Jesus Cristo não foi concluída na cruz, mas que haveria uma fase final da expiação iniciada apenas em 1844, no chamado “lugar santíssimo do santuário celestial”.
No livro O Grande Conflito, ela afirma:
“Nosso Sumo Sacerdote entrou no lugar santíssimo para efetuar a última parte de Sua obra — purificar o santuário. […] Entrou Ele então no lugar santíssimo do santuário celeste, a fim de levar a efeito a obra final da expiação.”
(O Grande Conflito, pp. 420–421, ed. brasileira)
Segundo essa concepção:
- A cruz não teria consumado plenamente a expiação;
- A obra decisiva do perdão ocorreria somente a partir de 1844;
- A expiação seria processual, dividida em fases históricas.
📖 O ensino claro de Hebreus 9
O autor de Hebreus ensina exatamente o oposto:
“Cristo, vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, entrou, uma vez por todas, no Santo dos Santos, não por meio de sangue de bodes e bezerros, mas pelo seu próprio sangue, obtendo eterna redenção.”
(Hebreus 9.12)
Pontos centrais do texto bíblico:
- Cristo entrou uma vez por todas (não em 1844);
- Ele já obteve eterna redenção, não algo provisório;
- A entrada no “Santo dos Santos” é apresentada como evento consumado, ligado ao sacrifício da cruz.
Ainda em Hebreus 9 lemos:
“De outra maneira, teria sido necessário que Ele padecesse muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez para sempre, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.”
(Hebreus 9.26)
Ou seja, a Bíblia afirma:
- Uma manifestação,
- Um sacrifício,
- Uma expiação definitiva.
📖 O ensino inequívoco de Hebreus 10
Hebreus 10 elimina qualquer possibilidade de uma expiação incompleta ou futura:
“Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas.”
(Hebreus 10.10)
E ainda:
“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados.”
(Hebreus 10.14)
O texto é conclusivo:
- Uma única oferta
- Aperfeiçoamento definitivo
- Nenhuma obra expiatória posterior
Por isso o autor conclui:
“Ora, onde há remissão destes, já não há oferta pelo pecado.”
(Hebreus 10.18)
Se não há mais oferta pelo pecado, não pode haver uma ‘obra final da expiação’ iniciada em 1844.
⚠️ Conclusão teológica
A afirmação de Ellen G. White de que Cristo só iniciou a obra final da expiação em 1844 entra em contradição direta com Hebreus 9 e 10, que ensinam:
- A expiação foi completa, perfeita e suficiente na cruz;
- Cristo entrou no Santo dos Santos imediatamente após Sua obra redentora, não séculos depois;
- Não existe base bíblica para uma segunda fase expiatória.
Assim, a doutrina do Juízo Investigativo pressupõe uma obra redentora inacabada no Calvário, algo que o Novo Testamento explicitamente nega.
