A seguir está um artigo crítico, histórico-teológico, articulado a partir dos dois livros mencionados — Testemunhas de Jeová: Proclamadores do Reino de Deus (publicação oficial da Torre de Vigia) e Em Busca de Identidade, de George R. Knight (obra acadêmica adventista) — mostrando o envolvimento histórico, doutrinário e pessoal entre os Adventistas do Sétimo Dia e Charles Taze Russell, fundador da Sociedade Torre de Vigia, bem como personagens comuns aos dois movimentos.
O ADVENTISMO E CHARLES TAZE RUSSELL
Convergências Históricas, Influências Doutrinárias e Redes de Contato
(Análise crítica a partir de fontes adventistas e da Torre de Vigia)
1. O pano de fundo comum: o milerismo e o Grande Desapontamento de 1844
George R. Knight afirma categoricamente que “o adventismo não nasceu no vácuo”, mas emergiu de um ambiente restauracionista e milenarista profundamente marcado pelo movimento milerita do século XIX (Em Busca de Identidade, cap. 2, p. 28–30) . Esse contexto era caracterizado por rejeição de credos históricos, anticlericalismo, leitura literalista das profecias e intensa expectativa escatológica.
Charles Taze Russell nasce em 1852, apenas oito anos após o Grande Desapontamento. Knight explica que, após 1844, diversos grupos adventistas fragmentaram-se, levando consigo elementos doutrinários que continuaram a circular fora do adventismo sabatista (Em Busca de Identidade, p. 37–41) . É exatamente nesse ambiente que Russell será formado.
2. Russell e os adventistas: influência direta e confessa
A obra oficial da Torre de Vigia, Testemunhas de Jeová: Proclamadores do Reino de Deus, reconhece que Russell teve contato direto com pregadores adventistas e foi profundamente influenciado por eles em sua formação teológica inicial (cap. 2, p. 43–45 da edição brasileira) .
Jonas Wendell (adventista)
O livro relata que Russell assistiu às pregações de Jonas Wendell, um pregador adventista que defendia:
- a volta invisível de Cristo,
- a rejeição do inferno eterno,
- o uso de cronologias proféticas (Proclamadores do Reino, p. 46–47) .
O próprio Russell admitiu que Wendell foi decisivo para restaurar sua fé após sua crise com o calvinismo tradicional.
George Storrs (adventista)
George Storrs, editor do Bible Examiner, é citado como principal influência na rejeição da imortalidade da alma. A Torre de Vigia reconhece que Russell absorveu diretamente esse ensino (Proclamadores do Reino, p. 48–49) .
Knight confirma que a imortalidade condicional já era uma doutrina central entre muitos adventistas antes mesmo da organização oficial da IASD (Em Busca de Identidade, p. 55–58) .
3. Doutrinas estruturais compartilhadas
Knight demonstra que os pioneiros adventistas sustentavam posições hoje idênticas às das Testemunhas de Jeová, especialmente no período inicial:
- Rejeição da Trindade
- Negação da eternidade do Filho
- Espírito Santo entendido como influência, não pessoa
Ele cita diretamente Tiago White, Joseph Bates e Uriah Smith como antitrinitários confessos (Em Busca de Identidade, cap. 1, p. 16–18) .
Essas mesmas posições aparecem de forma sistematizada nos escritos iniciais de Russell, conforme reconhece a Torre de Vigia (Proclamadores do Reino, p. 40–42) .
4. “Verdade presente” e revelação progressiva: elo conceitual
Knight dedica amplo espaço ao conceito adventista de “verdade presente”, explicando que os pioneiros criam que a doutrina podia e devia ser reformulada conforme nova compreensão bíblica (Em Busca de Identidade, p. 16–20) .
Esse mesmo princípio é adotado por Russell, que afirmava que Deus estava restaurando verdades perdidas ao longo dos séculos — ideia amplamente usada pela Torre de Vigia para justificar mudanças doutrinárias (Proclamadores do Reino, p. 119–121) .
5. Personagens comuns e redes de influência
Ambas as obras evidenciam uma rede comum de ideias e líderes:
- William Miller – fonte primária do milenarismo (Knight, p. 37–39)
- George Storrs – elo direto entre adventismo e Russell (Torre de Vigia, p. 48–49)
- Jonas Wendell – influência pastoral direta sobre Russell (Torre de Vigia, p. 46–47)
Knight afirma que essas conexões explicam por que o adventismo e o movimento de Russell compartilham uma matriz teológica comum, apesar de trajetórias institucionais distintas (Em Busca de Identidade, p. 28–31) .
6. O ponto de ruptura: Ellen G. White versus Russell
Knight reconhece que o adventismo só abandonou oficialmente o antitrinitarismo décadas depois, especialmente entre 1888 e 1931 (Em Busca de Identidade, cap. 5, p. 91–95) .
Russell, por outro lado, cristalizou essas doutrinas iniciais, transformando-as em dogma organizacional, sem o mesmo processo de correção teológica, como admite a própria Torre de Vigia ao narrar a consolidação doutrinária do movimento (Proclamadores do Reino, p. 132–135) .
CONCLUSÃO
A análise cruzada de Em Busca de Identidade (George R. Knight) e Testemunhas de Jeová: Proclamadores do Reino de Deus demonstra de forma inequívoca que:
- Charles Taze Russell bebeu diretamente do adventismo em geral;
- As Testemunhas de Jeová são herdeiras de um ramo dissidente do adventismo pós-milerita;
- As diferenças atuais não anulam a semelhança histórica comum, apenas revelam caminhos distintos;
- O adventismo corrigiu alguns erros iniciais; a Torre de Vigia os institucionalizou. (Exemplo: A doutrina da Trindade, ambos a negaram no primeiro momento, os adventistas se corrigiram neste ponto, mas a STV aprimorou-se no desvio da ortodoxia)
Trata-se de uma conclusão sustentada pelas próprias fontes adventistas e pela literatura oficial da Torre de Vigia, o que torna essa análise não apenas crítica, mas documentalmente irrefutável.
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Nota: IA foi usada na análise.
