O Cânon 19 do Primeiro Concílio de Niceia (325 d.C.) trata primariamente da reconciliação e readmissão dos seguidores de Paulo de Samósata (conhecidos como paulianistas, um grupo considerado herético por negar a doutrina da Trindade). A menção às diaconisas no cânon surge no contexto do tratamento a ser dado ao clero e aos ministros vindos desse grupo e gera debates históricos e teológicos devido à forma como é formulada.
O Texto do Cânon 19 (excerto relevante)
“Em relação aos paulianistas que buscam refúgio na Igreja Católica (universal), decreta-se que devem ser sem falta rebatizados… Do mesmo modo se procederá quanto às suas diaconisas e, em geral, quanto a todos os que estão inscritos na lista do clero. Lembramos, porém, quanto às diaconisas que assumiram essa vestimenta/condição [schema], que, como não receberam qualquer imposição de mãos [cheirotonia], elas devem ser numeradas estritamente entre os leigos.”
Duas Interpretações Histórico-Teológicas
A interpretação desse cânon varia dependendo do ponto de vista historiográfico:
1. A Interpretação do Contexto Paulianista (A posição mais aceita na historiografia)
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Não haviam recebido ordenação real: Os bispos reunidos em Niceia observaram que, na seita dos paulianistas, as mulheres chamadas de “diaconisas” desempenhavam um papel social/vestia hábitos, mas não haviam recebido a imposição de mãos (cheirotonia) que caracterizava a ordenação eclesial.
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Contraste com a Igreja Ortodoxa/Católica: Ao esclarecer que as diaconisas paulianistas eram leigas por falta de imposição de mãos, o cânon pressupõe que, na Igreja da época, o diaconato feminino legítimo envolvia a imposição de mãos (cheirotonia) para integrá-las ao serviço da Igreja (como confirmado mais tarde de forma explícita no Concílio de Calcedônia em 451 d.C., Cânon 15).
2. A Interpretação Restritiva
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Alguns teólogos e estudiosos interpretaram a frase final como uma afirmação geral de que as diaconisas — em qualquer contexto — não possuíam imposição de mãos e, portanto, pertenciam essencialmente ao laicato e não ao clero ordenado.
Resumo do Impacto do Cânon
O Cânon 19 de Niceia é uma das evidências documentais mais antigas do século IV sobre a existência do título de diaconisa na organização da Igreja eclesial, estipulando que:
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O batismo e os ministérios exercidos dentro da heresia paulianista não tinham validade sacramental (exigindo rebatismo).
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Sem a devida imposição de mãos (cheirotonia) por um bispo ortodoxo, qualquer pessoa que desempenhasse o papel de diaconisa seria considerada leiga.
