Os decretos de Deus no indeterminismo

 

Introdução

A doutrina dos decretos de Deus costuma ser apresentada, em sistemas deterministas, como um plano eterno e exaustivo no qual todos os eventos, atos e decisões humanas são causalmente determinados pela vontade divina. Contudo, os PDFs analisados demonstram que tal concepção não é exigida pela Escritura e produz sérias tensões teológicas, morais e pastorais.

A Bíblia ensina, sim, que Deus tem decretos soberanos. O que ela não ensina é que esses decretos operem de modo fatalista, anulando a liberdade humana ou tornando Deus o autor do pecado. O indeterminismo bíblico — entendido como a existência de decisões humanas não causalmente determinadas por Deus — oferece uma leitura mais coerente do testemunho bíblico.


1. O que a Bíblia entende por decretos de Deus

Biblicamente, os decretos de Deus dizem respeito a:

Hutson Smelley observa que a Escritura fala dos decretos de Deus em termos teleológicos (de finalidade), não como um mecanismo causal que produza cada ato humano .

Deus decreta o que realizará, não necessariamente como cada agente moral agirá em todos os detalhes.


2. Determinismo versus indeterminismo bíblico

Roger Olson distingue claramente soberania de determinismo. Segundo ele, afirmar que Deus é soberano não exige que todas as decisões humanas sejam causalmente determinadas por Ele .

O indeterminismo bíblico sustenta que:

Isso preserva tanto a soberania divina quanto a responsabilidade moral humana.


3. Decretos divinos e liberdade humana

Os PDFs enfatizam que a Bíblia apresenta decretos divinos que:

Laurence Vance destaca que Deus frequentemente responde às ações humanas na narrativa bíblica, algo incoerente com um decreto determinista exaustivo .

Se todas as ações fossem decretadas causalmente, arrependimento, mudança, intercessão e advertência seriam ilusórios.


4. Os decretos e o problema do mal

Um dos pontos mais críticos tratados nos PDFs é a relação entre decretos deterministas e o mal.

Dave Hunt argumenta que, se Deus decretou causalmente todas as ações, então:

O indeterminismo bíblico resolve esse dilema ao afirmar que:


5. Decretos condicionais na Escritura

A Bíblia apresenta decretos condicionais e relacionais, não apenas absolutos e incondicionais:

Norman Geisler observa que tais declarações seriam incoerentes se o futuro estivesse fixado de maneira causal e imutável .

Isso não enfraquece os decretos de Deus, mas revela sua sabedoria relacional.


6. Decretos, presciência e contingência

Os PDFs defendem que a presciência divina não causa os eventos conhecidos.

Smelley afirma que confundir presciência com predeterminação causal é um erro filosófico comum na teologia determinista .

Deus pode conhecer infalivelmente:


7. Implicações pastorais do indeterminismo bíblico

Laurence Vance demonstra que sistemas deterministas tendem a produzir:

Já o indeterminismo bíblico:


Conclusão

À luz da Escritura e da análise consistente dos PDFs utilizados, conclui-se que:

Os decretos de Deus, no ensino bíblico, não anulam a liberdade humana, não fazem de Deus o autor do pecado e não transformam a história em um roteiro fechado. Antes, revelam um Deus soberano, santo e sábio, que reina sem fatalismo, chama sem coerção e julga com perfeita justiça.

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Acima um artigo bíblico-teológico e apologético, elaborado com base direta nos PDFs indicadosDesconstruindo o Calvinismo (Hutson Smelley), Contra o Calvinismo (Roger Olson), Que Amor é Este? (Dave Hunt), O Outro Lado do Calvinismo (Laurence M. Vance) e Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia (Norman Geisler & Thomas Howe) — abordando de forma equilibrada e bíblica a relação entre os decretos de Deus e o indeterminismo moral humano.

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