—————————————–
É preciso distinguir entre: textos que mencionam diretamente os cristãos; textos gerais de guerra que podem ser aplicados a eles; e textos referentes aos muçulmanos que abandonam o islã para se tornar cristãos. Sem essa distinção, a análise pode facilmente se tornar imprecisa.
1. Alcorão 9.29 — combate aos cristãos e cobrança da jizya
“Combatei aqueles que não creem em Allah e no Último Dia […] dentre aqueles que receberam o Livro, até que paguem a jizya, diretamente, e se sintam submissos.”
A expressão “povo do Livro” — ahl al-kitāb — inclui especialmente judeus e cristãos. O texto apresenta três possibilidades políticas tradicionais: conversão ao islã, submissão mediante pagamento da jizya ou enfrentamento militar. A expressão final wa hum ṣāghirūn pode ser traduzida como “submissos”, “humilhados” ou “reduzidos à sujeição”. (Quran.com)
É importante observar que o versículo diz “combatei” — qātilū — e não simplesmente “matai todos”. A morte aparece como consequência inevitável do combate.
2. Alcorão 9.30 — condenação religiosa dos cristãos
“Os cristãos dizem: ‘O Messias é o Filho de Allah’ […] Que Allah os destrua! Como se desviam!”
Aqui os cristãos são condenados especificamente por confessarem que Cristo é o Filho de Deus. Algumas traduções trazem “que Allah os amaldiçoe”; outras, “que Allah os destrua” ou “que Allah os mate”. (Tafheem ul Quran)
Isso é uma imprecação divina, e uma ordem indireta para que os muçulmanos matem cristãos. Pode alimentar hostilidade teológica: “Muçulmanos, matem os cristãos”.
3. Alcorão 9.5 — o chamado “versículo da espada”
“Quando os meses sagrados tiverem terminado, matai os idólatras (entre eles, os trinitários) onde quer que os encontreis; capturai-os, cercai-os e ficai à espreita contra eles.”
O texto ordena matar, capturar e cercar os mushrikūn, isto é, os politeístas ou associadores. (Quran.com)
Ele menciona indiretamente os cristãos. Entretanto, como o Alcorão acusa os cristãos de atribuírem um Filho a Allah e de crerem na Trindade, alguns movimentos radicais os classificam como associadores. Tecnicamente, porém, o próprio Alcorão normalmente distingue “povo do Livro” de “politeístas”; mas alguns aceitam os trinitários como idolatras!
4. Alcorão 8.39 — combater até que a religião pertença a Allah
“Combatei-os até que não haja mais perseguição/fitnah e que toda a religião pertença a Allah.”
A interpretação depende de fitnah: pode significar perseguição contra os muçulmanos, idolatria, rebelião ou obstáculo à expansão do islã. Interpretações expansionistas usaram a passagem para justificar o combate até que o domínio religioso e político pertencesse ao islã. Entre eles estão os cristãos que, segundo os radicais, devem ser combatidos por inevitavelmente resistir ao governo islâmico.
5. Alcorão 47.4 — execução durante o combate
“Quando encontrardes os descrentes em combate, golpeai-lhes os pescoços; quando os tiverdes dominado, apertai-lhes as amarras.”
Trata-se de uma orientação de guerra contra “os que não creem”. Depois da captura, o versículo menciona libertação graciosa ou mediante resgate. Não é uma ordem específica para perseguir cristãos em tempos de paz, mas regula a violência contra adversários não muçulmanos durante a guerra.
6. Alcorão 5.51 — proibição de alianças com judeus e cristãos
“Ó crentes, não tomeis os judeus e os cristãos como awliyā’; eles são awliyā’ uns dos outros.”
Awliyā’ pode significar aliados, protetores, patronos ou pessoas às quais se concede lealdade política. Não significa necessariamente “amigos” no sentido cotidiano.
Hadiths
7. Sahih Muslim 1767a — expulsão de judeus e cristãos
Maomé teria declarado:
“Expulsarei os judeus e os cristãos da Península Arábica e não deixarei nela senão muçulmanos.”
É uma orientação diretamente dirigida à presença judaica e cristã na Península Arábica. O próprio capítulo de Sahih Muslim recebe o título “Expulsão dos judeus e cristãos da Península Arábica”. (sunnah.com)
8. Sahih al-Bukhari 392 — combater até a confissão islâmica
Maomé teria dito:
“Fui ordenado a combater as pessoas até que digam: ‘Não há divindade além de Allah’.”
O texto fomenta a ideia do combate radical aos cristãos. Alguns juristas o harmonizaram com Alcorão 9.29: aos politeístas caberia aceitar o islã ou combater; judeus e cristãos poderiam conservar sua religião caso aceitassem a jizya e a submissão política – isso dentro de uma subvida ou em um contexto de humilhação radical!
9. Sahih al-Bukhari 6922 — pena de morte por abandonar o islã
“Quem mudar sua religião, matai-o.”
O contexto fala de pessoas que abandonaram o islã. (sunnah.com)
10. Sahih al-Bukhari 6923 — execução de convertido que retornou ao judaísmo
O relato fala de um judeu que se tornou muçulmano e depois retornou ao judaísmo. Mu‘adh declarou:
“Não me sentarei até que ele seja morto. Esse é o julgamento de Allah e de seu Mensageiro.”
O homem foi então executado. (sunnah.com)
11. Sahih al-Bukhari 6924–6925 — guerra contra os considerados apóstatas
Após a morte de Maomé, Abu Bakr decidiu combater os grupos árabes que abandonaram determinadas obrigações islâmicas, especialmente o pagamento do zakat. Ele justificou a guerra utilizando a tradição segundo a qual Maomé fora ordenado a combater até que as pessoas professassem a fé islâmica. (sunnah.com)
Síntese responsável
Os textos mais diretamente relacionados aos cristãos são:
| Fonte | Conteúdo |
|---|---|
| Alcorão 9.29 | Combater o povo do Livro, incluindo cristãos, até o pagamento da jizya, submissão e morte |
| Alcorão 9.30 | Condenação dos cristãos por afirmarem que Cristo é o Filho de Deus |
| Alcorão 5.51 | Restrição de alianças ou lealdade política com judeus e cristãos |
| Sahih Muslim 1767a | Expulsão de judeus e cristãos da Península Arábica |
| Bukhari 6922–6923 | Morte de quem abandona o islã, incluindo quem se converte ao cristianismo |
Portanto, é correto dizer:
O Alcorão 9.29 autoriza o combate contra judeus e cristãos até sua submissão ao governo islâmico e pagamento da jizya; os hadiths autênticos também registram a expulsão deles da Península Arábica e fornecem a base tradicional para condenar à morte o muçulmano que abandona o islã, inclusive para tornar-se cristão.










