Calvinistas admitem: não existia calvinismo na Igreja Primitiva

Teólogos calvinistas admitindo que não existia o ensinamento das doutrinas conhecidas hoje como calvinismo na Igreja Primitiva:
João Calvino: “Tudo indica que grande preconceito se atrai contra minha pessoa quando cssei que todos os escritores eclesiásticos, exceto Agostinho, nesta matéria se expressaram tão ambígua ou variadamente que de seus escritos não se pode ter coisa alguma certa. Ora, alguns haverão de interpretar isto exatamente como se os quisesse privar do direito de opinião, já que todos me são contrários.” (Institutas, 2.2.9).
João Calvino: “Os antigos Pais não entenderam claramente a doutrina da predestinação” (Instituição da Religião Cristã, Livro II, Capítulo 2, Seção 4).
Teodoro de Beza (Sucessor de Calvino): “Calvino foi o PRIMEIRO a restaurar a verdadeira doutrina da predestinação”. (Biografia escrita por Teodoro de Beza em 1564, intitulada A Vida de João Calvino / Vita Ioannis Calvini).
Philip Schaff: “O sistema calvinista NÃO EXISTIA ANTES de Calvino”. (History of the Christian Church / História da Igreja Cristã, Volume VIII: Modern Christianity: The Swiss Reformation, Capítulo XIV). Schaff também formalizou essa análise no Volume I de sua famosa obra de referência histórica, The Creeds of Christendom (Os Credos da Cristandade), na seção destinada ao Calvinismo.
Loraine Boettner: “Os pais da igreja primitiva… ensinavam que a salvação era através de Cristo, ainda assim eles assumiam que o homem TINHA PLENOS PODERES (Livre-Arbítrio) para aceitar ou rejeitar o Evangelho (Graça resistível)… Eles ensinaram um tipo de Sinergia (Monergismo Condicional) na qual havia cooperação entre a Graça e o Livre-Arbítrio”. (History of the Doctrine / História da Doutrina, Parte V, Capítulo XXIX).
Alister McGrath: “A tradição teológica pré-agostiniana é PRATICAMENTE UNÂNIME ao AFIRMAR a LIBERDADE da VONTADE HUMANA (Livre-Arbítrio)”. (Justitia Dei: A History of the Christian Doctrine of Justification, 1998, p. 20).
Louis Berkhof: “Os pais da igreja (séc. II e III d.C.) não tinham afinidade com os ensinamentos de Agostinho. (…) Seus pontos de vista sobre o pecado foram, sobretudo no princípio, influenciados em grande parte por sua oposição ao gnosticismo, com ênfase sobre a necessidade física do mal e sua negação da liberdade da vontade” (p. 109). E completa: “Alguns percebem (em Agostinho) traços de influência maniqueísta em seus melancólicos pontos de vista da natureza humana como algo fundamentalmente mau, bem como em sua negação da liberdade da vontade” (p. 112). (A História das Doutrinas Cristãs. O local textual específico é a Quarta Parte do livro, no capítulo dedicado à História da Doutrina do Pecado e da Graça).
Esta argumentação traz uma questão bastante embaraçosa para os calvinistas. Os únicos lugares onde a igreja primitiva realmente abordou o tema do livre-arbítrio e do determinismo, antes de Agostinho, foram em seus escritos antignósticos. Muitos desses homens conheceram pessoalmente os apóstolos, ou conviveram com pessoas que os conheceram. Portanto, eles estavam mais propensos a entender os pensamentos dos apóstolos sobre certos assuntos — e o que eles quiseram dizer quando escreveram o Novo Testamento — do que os teólogos posteriores. É essa proximidade com os autores bíblicos que lhes dá tal autoridade, e essa autoridade se justifica.
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