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Home Seitas Adventismo

A Lei de Cristo e a não obrigatoriedade do sábado para a Igreja

Pr. João Flávio Martinez por Pr. João Flávio Martinez
30 de agosto de 2026
em Adventismo, Destaques, HotNews, Lei, Seitas
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A Igreja não vive debaixo da aliança mosaica, estabelecida entre Deus e Israel no Sinai, mas debaixo da Nova Aliança, inaugurada pelo sangue de Jesus Cristo (Lucas 22.20; Hebreus 8.6–13). Isso não significa que o cristão esteja sem lei ou autorizado a viver no pecado. Ele está sujeito à chamada “Lei de Cristo” (Gálatas 6.2; 1Coríntios 9.20–21), cujo centro é amar a Deus e ao próximo, seguindo os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos.

A Lei de Moisés foi entregue especificamente à nação de Israel como parte da Antiga Aliança. Nela estavam incluídos mandamentos morais, civis e cerimoniais, como a circuncisão, os sacrifícios, as festas, as restrições alimentares e a guarda do sábado. Paulo afirma que Cristo aboliu “na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças” (Efésios 2.15) e que os cristãos morreram para a Lei a fim de pertencerem a Cristo (Romanos 7.4–6).

O sábado era um sinal da aliança entre Deus e Israel:

“Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre” (Êxodo 31.16–17).

A Bíblia não apresenta o sábado como sinal da Nova Aliança com a Igreja. O sinal distintivo dos discípulos de Cristo é o amor:

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.35).

Paulo ensina expressamente que ninguém deve ser julgado por não guardar o sábado:

“Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Colossenses 2.16–17).

A sequência “festa, lua nova e sábados” envolve as observâncias anuais, mensais e semanais do calendário judaico. Essas coisas eram sombras que apontavam para Cristo. Quando a realidade chegou, a sombra deixou de possuir função obrigatória.

Romanos 14 também demonstra que a observância de dias não deve ser imposta à Igreja:

“Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente” (Romanos 14.5).

Se guardar determinado dia fosse um mandamento universal e indispensável à salvação, Paulo jamais permitiria que um cristão considerasse todos os dias iguais.

Além disso, quando os apóstolos se reuniram no Concílio de Jerusalém para decidir quais exigências seriam apresentadas aos cristãos gentios, eles não ordenaram a circuncisão nem a guarda do sábado. Pedro rejeitou a tentativa de colocar sobre os gentios o jugo da Lei mosaica (Atos 15.10), e a decisão apostólica não incluiu nenhum mandamento sabático (Atos 15.19–29).

Os nove mandamentos morais do Decálogo são reafirmados no Novo Testamento dentro da Lei de Cristo. O único que não reaparece como obrigação para a Igreja é justamente a guarda do sábado. Isso não acontece por esquecimento, mas porque o sábado pertencia ao sistema de sombras da Antiga Aliança.

Jesus é o verdadeiro descanso do povo de Deus. O sábado apontava profeticamente para o descanso espiritual encontrado em Cristo:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28).

Hebreus 4 mostra que o descanso definitivo não consiste meramente na observância de um dia da semana, mas em entrar, pela fé, na obra consumada de Deus. O cristão encontra em Cristo aquilo que o sábado simbolizava.

A Igreja primitiva passou a reunir-se especialmente no primeiro dia da semana, o domingo, porque nesse dia Jesus ressuscitou (João 20.1,19), apareceu aos discípulos, a Igreja se reunia para partir o pão (Atos 20.7) e as ofertas eram separadas (1Coríntios 16.2). Entretanto, o domingo não deve ser transformado em um “sábado cristão” legalista. Reunimo-nos no Dia do Senhor para celebrar a ressurreição, adorar, aprender e desfrutar da comunhão, não como meio de conquistar a salvação.

Portanto, a Igreja não está sem lei: está debaixo da Lei de Cristo. Não guardamos o sábado como requisito da aliança, da justificação ou da salvação. Nossa justiça não vem da observância de dias, mas da fé em Jesus Cristo. Cumprimos a Lei de Cristo quando amamos, servimos, perdoamos, vivemos em santidade e carregamos as cargas uns dos outros:

“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a Lei de Cristo” (Gálatas 6.2).

Em síntese: a Lei de Moisés conduzia até Cristo; a Lei de Cristo governa aqueles que estão em Cristo. O sábado era a sombra; Cristo é a realidade. Por isso, o cristão pode descansar ou cultuar no sábado por decisão pessoal, mas não pode tornar sua guarda uma obrigação para a Igreja nem condição para a salvação (Gálatas 4.9–11; 5.1–4; Colossenses 2.16–17).

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