Texto-base: 1 Tessalonicenses 4:13–18
Textos de apoio: João 14:1–3; 1 Coríntios 15:51–52; Tito 2:13; Apocalipse 3:10; 22:20.
Tema: A Igreja deve viver preparada, porque Cristo pode voltar a qualquer momento para buscar os seus.
Proposição: Na perspectiva pré-tribulacionista, o arrebatamento da Igreja é iminente: nenhum acontecimento profético precisa necessariamente ocorrer antes que Cristo venha buscar sua Igreja.
Introdução
Uma das maiores esperanças do cristianismo não está nesta terra, mas naquele que prometeu voltar. Jesus disse:
“Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo” (Jo 14:3).
A Igreja primitiva não vivia apenas olhando para aquilo que Deus havia feito no passado; vivia olhando para aquilo que Cristo faria no futuro. Paulo chama essa expectativa de “bem-aventurada esperança” (Tt 2:13).
Na perspectiva pré-tribulacionista, fazemos uma distinção entre o arrebatamento da Igreja e a manifestação gloriosa de Cristo ao final da Tribulação. No arrebatamento, Cristo vem para os seus (1Ts 4:16–17); posteriormente, em sua manifestação gloriosa, Cristo vem com os seus (Cl 3:4; Ap 19:11–14).
Por isso, quando falamos da volta iminente de Cristo, estamos dizendo que o arrebatamento pode acontecer a qualquer momento. Não significa necessariamente que acontecerá hoje, mas significa que pode acontecer hoje.
Diante disso, apresentamos cinco razões bíblicas para vivermos esperando a volta de Jesus.
1. JESUS PROMETEU PESSOALMENTE QUE VOLTARIA
João 14:2–3
“Vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo.”
A esperança da Igreja não está baseada em especulações, cálculos proféticos ou previsões humanas. Está baseada na palavra do próprio Cristo.
Jesus não disse: “Talvez eu volte”. Ele disse:
“Virei outra vez.”
E observe o propósito dessa vinda:
“para que, onde eu estiver, estejais vós também.”
Essa linguagem se harmoniza perfeitamente com 1 Tessalonicenses 4:17:
“e assim estaremos para sempre com o Senhor.”
No arrebatamento, Jesus vem buscar sua Igreja para levá-la consigo.
Em João 14, Cristo parte para a casa do Pai e promete voltar para receber os discípulos para si. A direção do movimento é importante: Cristo vem, recebe os seus e os leva para estar com ele.
Aplicação
Nossa esperança não depende das circunstâncias políticas, econômicas ou sociais do mundo.
O mundo pode mudar, governos podem mudar, impérios podem cair, mas a promessa de Cristo permanece: “Virei outra vez”.
2. OS APÓSTOLOS ENSINARAM A IGREJA A ESPERAR CRISTO A QUALQUER MOMENTO
1 Tessalonicenses 1:9–10
Paulo descreve os cristãos de Tessalônica como pessoas que haviam se convertido:
“para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus o seu Filho.”
Observe os dois movimentos da vida cristã:
Servir na terra e esperar do céu.
Paulo também afirma:
“aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.”
Tito 2:13
E Tiago escreve:
“a vinda do Senhor está próxima.”
Tiago 5:8
A expectativa apostólica não era: “Primeiro aguardem o Anticristo.”
Não era: “Primeiro aguardem a Grande Tribulação.”
A expectativa era:
“Aguardem o Senhor.”
Essa é uma das bases importantes da doutrina da iminência. Se a Igreja tivesse obrigatoriamente de atravessar toda a Tribulação antes do arrebatamento, sua expectativa imediata não seria Cristo, mas os acontecimentos proféticos que necessariamente o antecederiam.
Aplicação
A pergunta do cristão não deveria ser apenas:
“Quando Jesus voltará?”
Mas:
“Como Jesus me encontrará se voltar hoje?”
A doutrina da iminência não foi dada para alimentar curiosidade, mas para produzir vigilância.
3. O ARREBATAMENTO É APRESENTADO COMO UM ACONTECIMENTO REPENTINO
1 Coríntios 15:51–52
“Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos…”
Paulo chama o arrebatamento de mistério.
Haverá uma geração de cristãos que não passará pela morte. Quando Cristo vier, os mortos em Cristo ressuscitarão e os crentes vivos serão instantaneamente transformados.
Paulo explica:
“Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares.”
1 Tessalonicenses 4:16–17
Observe que Paulo chega a dizer:
“nós, os que ficarmos vivos”.
Ele se inclui entre aqueles que poderiam estar vivos na ocasião do arrebatamento. Isso demonstra a postura de expectativa que caracterizava a Igreja apostólica.
Não encontramos aqui uma data para calcular.
Encontramos uma ordem:
estejam preparados!
O arrebatamento será rápido:
“num momento, num abrir e fechar de olhos.”
Aplicação
Não existe tempo para se preparar depois que o arrebatamento começar.
A preparação para encontrar Cristo não deve começar quando a trombeta tocar; deve acontecer antes que ela toque.
4. A IGREJA É PROMETIDA LIVRAMENTO DA HORA DA PROVAÇÃO QUE VIRÁ SOBRE O MUNDO
Apocalipse 3:10
“Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.”
Esse texto ocupa lugar importante na compreensão pré-tribulacionista.
Observe que Cristo não promete apenas proteção durante a provação. Ele fala em guardar:
“da hora da provação”.
Além disso, essa provação possui dimensão mundial:
“que há de vir sobre o mundo inteiro.”
Na interpretação pré-tribulacionista, essa “hora” aponta para o período de juízo escatológico que culminará na Grande Tribulação.
Paulo também escreve:
“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo.”
1 Tessalonicenses 5:9
Isso não significa que o cristão esteja livre de perseguições ou sofrimentos. Jesus disse que no mundo teríamos aflições (Jo 16:33).
Precisamos distinguir:
tribulação causada pelo mundo contra a Igreja
de
Tribulação como período escatológico do juízo divino sobre o mundo.
A Igreja pode sofrer perseguição. Milhares de cristãos sofreram e ainda sofrem.
Mas, na perspectiva pré-tribulacionista, a Igreja não está destinada ao período da ira escatológica de Deus.
Antes desse período, Cristo buscará sua Igreja.
Aplicação
Nossa esperança não é sobreviver ao Anticristo.
Nossa esperança é encontrar Cristo.
5. A BÍBLIA TERMINA COM A IGREJA ESPERANDO: “VEM, SENHOR JESUS!”
Há algo extraordinário nas últimas palavras da Bíblia.
Apocalipse 22:20
“Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém! Vem, Senhor Jesus!”
Jesus declara:
“Certamente cedo venho.”
E João responde:
“Vem, Senhor Jesus!”
Essa deveria ser a oração permanente da Igreja.
Paulo preservou inclusive uma expressão aramaica usada entre os primeiros cristãos:
“Maranata!”
1 Coríntios 16:22
A expressão aponta para a expectativa da vinda do Senhor.
A Igreja primitiva olhava para o céu esperando Cristo.
A Igreja do século XXI deve fazer exatamente a mesma coisa.
Não marcamos datas.
Não fazemos cálculos irresponsáveis.
Não afirmamos conhecer o dia.
Jesus deixou claro:
“daquele dia e hora ninguém sabe.”
Mateus 24:36
Mas desconhecer quando Cristo voltará não significa duvidar de que ele voltará.
Ao contrário: justamente porque não sabemos o momento, precisamos estar preparados em todo momento.
Aplicação
Existe uma enorme diferença entre dizer:
“Jesus voltará algum dia”
e viver dizendo:
“Jesus pode voltar hoje.”
A primeira afirmação pode permanecer apenas como doutrina.
A segunda transforma nossa maneira de viver.
CONCLUSÃO — COMO A IGREJA DEVE VIVER DIANTE DA IMINÊNCIA?
Se Jesus pode voltar a qualquer momento, essa doutrina precisa produzir consequências práticas.
Primeiro: santidade.
“E todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.”
1 João 3:3
Quem espera Cristo procura viver de maneira agradável a Cristo.
Segundo: vigilância.
Não podemos permitir que o mundo adormeça espiritualmente a Igreja.
Terceiro: evangelização.
Se Cristo está voltando, precisamos anunciar o Evangelho enquanto há oportunidade.
Quarto: perseverança.
Nossas dificuldades são temporárias. Nossa esperança é eterna.
Quinto: consolação.
Depois de explicar o arrebatamento, Paulo termina:
“Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.”
1 Tessalonicenses 4:18
A volta de Jesus não foi revelada para aterrorizar a Igreja.
Foi revelada para consolar a Igreja.
OS CINCO MOTIVOS
- Jesus prometeu pessoalmente que voltaria — Jo 14:1–3.
- Os apóstolos ensinaram a Igreja a esperar Cristo — 1Ts 1:9–10; Tt 2:13.
- O arrebatamento será repentino e instantâneo — 1Co 15:51–52; 1Ts 4:16–17.
- A Igreja não está destinada à hora da ira escatológica — Ap 3:10; 1Ts 5:9.
- A própria Bíblia termina com a expectativa da volta de Cristo — Ap 22:20.
Apelo final
Talvez a pergunta mais importante não seja:
“Quando Jesus voltará?”
A pergunta mais importante é:
“Se Jesus voltar hoje, estou preparado para encontrá-lo?”
Cristo morreu, ressuscitou, subiu aos céus e prometeu voltar.
Nossa esperança não está no Anticristo.
Nossa esperança não está nos acontecimentos políticos.
Nossa esperança não está neste mundo.
Nossa esperança tem nome: JESUS CRISTO.
Por isso a Igreja continua trabalhando, evangelizando, pregando, servindo e olhando para o alto.
A qualquer momento a trombeta poderá soar.
A qualquer momento os mortos em Cristo ressuscitarão.
A qualquer momento os vivos serão transformados.
A qualquer momento encontraremos o Senhor nos ares.
Até aquele dia, a oração da Igreja continua sendo:











